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terça-feira, 16 de novembro de 2010

MAMÃE PEDÓFILA

Maiara é uma grande amiga, casada com Antonio á 10 anos, tentavam desesperadamente sem sucesso gerar um filho.

Após vários tratamentos para fertilidade, conseguiram por fim, ambos já com certa idade, dar o ser a vida. Nascia ali um menino, batizado por Tiago.

Tanto esforço porém, foi minando o casamento, de formas que, assim que o menino completou quatro aninhos, veio a separação do casal, e com ela, a luta pela guarda do menino.

O Tiaguinho, logo em seguida, começou a apresentar problemas de saúde, sentia fortes dores ,que a primeira vista, parecia problemas nas vias urinárias.

As dores eram tão fortes a ponto de lhe fazerem chorar, deixando a mãe desesperada, trilhando caminho de vários médicos, sem achar solução.

Levado a um dos maiores pediatras, foi constatado uma criptorquidia, ou seja, um de seus testículos não havia baixado para o escroto, o que causava-lhe as dores.

Começado o tratamento contra uma inflamação, Maiara, foi alertada pelo médico que as dores ainda persistiriam por algum tempo, e que ela evitasse vesti-lo com calções ou cuecas apertadas, e que sempre que possível o deixasse pelado, isso aliviaria em muito suas dores.

Maiara obedecia religiosamente horários de medicação e sempre que a temperatura permitia deixava o menino sem roupas.

Filho único, sem ter com quem brincar, a mãe consternada com a situação, resolveu comprar um filhotinho de poodle, de aproximadamente 3 meses, para lhe fazer companhia.

Peladinho, Tiaguinho sentava-se no tapete da sala a brincar com o cãozinho. Aquilo ajudou em muito, para manter o menino ocupado, e esquecido da dor.

Volta e meia, o filhotinho parecendo adivinhar o sofrimento do amiguinho, dava-lhe algumas lambidas no saquinho, Maiara percebendo tratava de espantá-lo.

Mas aquele gesto de amizade do cãozinho pelo pequenino amigo, parecia aliviar em muito a dor que Tiaguinho sentia. De formas que quando a dor apertava, o próprio menino chamava o cachorro para aliviar-lhe.

Assim que Maiara enxergava, espantava o bichinho. E assim foi indo, o cãozinho lambia, Maiara espantava, o cãozinho lambia, Maiara espantava...

A esta altura a batalha judicial esquentara. Antonio, seu ex-marido, alegava que ela não era uma boa mãe, descabeçada, sem moral, as alegações padrões em um divórcio conturbado.

A juíza então, designou uma assistente social, para que fosse até a casa de Maiara, e de posse de suas conclusões, reportasse a juíza seu parecer, a fim da magistrada poder decidir, a respeito da guarda.

No dia marcado para visita da assistente social, Maiara tratou de limpar a casa, vestiu o menino, tomando o cuidado de não apertá-lo as partes, levou o cãozinho para a casa de uma amiga e ficou aguardando a assistente.

A campainha toca, Maiara atende, faz com que a senhora entre e sente, puxa uma cadeira para si e senta-se de frente para a assistente, com o menino no colo.

Lá pelas tantas, o menino puxa a cabeça da mãe para perto de seu rosto e cochicha:

-Mamãe, ta doendo muito!!

Ela responde:

Agüenta um pouquinho filhinho, a tia já vai embora.

Quinze minutos depois, novamente:

-Mamãe, ta doendo muito.

-Agüenta mais um pouquinho filhinho, vai pro chão e fica em pé um pouquinho, para ver se passa.

A conversa entre Maiara e a enviada da juíza ainda não findara, quando o menino se posiciona em frente as duas, baixa o calçãozinho desesperado, segura o tiquinho com uma das mãos, e diz:

-Mamãe, não consigo mais agüentar, lambe aqui ligeiro!

Maiara hoje brinca com o fato, mas a época foi duro convencer a juíza, que tudo não passou de engano.

OPERAÇÃO PENAS DA LEI

Nada a ver,mas olha só no que deu dar uma de jornalista!...

Sabe aqueles jornaizinhos de interior,com uma edição quinzenal,que o dono consegue um jornalista responsável e manda ver nas besteiras?...então.

Meu amigo me procurou desesperado,dono de um destes,querendo que eu cobrisse a parte policial,já que sempre tive afinidade com a policia civil de minha cidade.

Tentei falar de meu “estilo” de escrever,mas ele disse que eu fizesse como bem entendesse,desde que lhe enviasse boas “matérias”...ehehehehe.

Tchê,minha primeira e última matéria,envolveu um comandante da Brigada militar,que concorreu a vereança,sem lograr êxito,e seus desafetos políticos que eleitos,por algum motivo,foram postos no “paredão” em uma abordagem policial,em que o mesmo comandante comandara,durante a comemoração de seus rivais em um bar,saboreando uma galinhada com arroz.

Não tive dúvidas,de posse de carta branca para escrever como bem desejasse mandei ver:

OPERAÇÃO PENAS DA LEI

Uma operação da BM,com a recém criada divisão BAFUPE (batalhão anti-furto de penosas) efetuou a prisão semana passada,de uma “mega quadrilha” envolvida em seqüestro relâmpagos,cárcere privado e, assassinato de galináceos.

Os meliantes ao perceberem a chegada dos policiais,devoraram rapidamente a “dolorosa”,fugindo assim do flagrante.

Entre os membros da “quadrilha”,estavam dois vereadores,que depois de ouvidos foram liberados.

No local do crime,foram colhidas amostras da gororoba para exame pericial.

Esta semana,por intermédio de um porta-voz,o comando da BM informou que não será possível instaurar inquérito,por absoluta falta de provas,já que o laudo da pericia foi inconclusivo, dizia apenas: “Falta Sal”.

A câmara de vereadores emitiu comunicado, dizendo que mesmo sem inquérito policial,criará uma CPI,para apuração dos fatos e, se necessário for,cortará na própria carne...branca.

Os vereadores envolvidos no escândalo alegam serem vitimas de “armação política”e que esta não seria a primeira vez que tentam enlamear o Legislativo Municipal.

Lembraram que estão processando um cidadão chileno de nome Wel, que ao recepcioná-los em seu país,estendeu um faixa agressiva e indecorosa,com os dizeres:

WEL COME VEREADORES DE TRAMANDAI.

SEXO,DOG & ELEIÇÃO

Existe em minha cidade um homem,que me faz nutrir certa esperança ainda em políticos.

Honesto,de elevado caráter,funcionário publico de carreira,bom pai e marido.
Minha admiração por ele,enquanto político,supera até o fato de ser meu tio.

Prefeito eleito,buscava a reeleição, e eu,certo de que tudo que acresce só abunda,ofereci-me para acompanhá-lo em suas jornadas diárias em busca de votos,que acabavam também sendo uma forma eficiente de fiscalizar os serviços de sua equipe.

Eu então acompanhava-o mantendo certa distância,observando a movimentação,tentando antecipar-me a qualquer armadilha da oposição,enfim,o típico trabalho de guarda-costas.
Se bem,que minhas próprias costas já me era um fardo por demais pesado à carregar.

De manhã a noite,lá íamos nós,de porta em porta,de casa em casa,acompanhado por centenas de pessoas,como que em uma procissão.

Todo o político,antes do sucesso é magro,feio,desengonçado.
Mas a medida que a intimidade com o poder cresce,ele vai se transformando de sapo em príncipe,já notaram?...

Meu tio não, Era apresentável já na tenra idade,sua reputação de homem sério e honesto cedo lhe colocou lado a lado com diversas autoridades,obrigando-o a zelar pela aparência.

Desta forma,costumava arrancar suspiros de todas as mulheres acima dos 30 Kg e que fizesse sombra.Posso assegurar-lhes que se olhares de desejo de uma mulher,fossem suficientes para que elas engravidassem,ele não teria de onde tirar dinheiro para tanta pensão alimentícia.

Certo dia,após longo discurso,seguido de centenas de apertos de mãos temperados à tapinhas nas costas, ele exausto,procura a sombra de uma frondosa arvore, escorando-se de formas a ficar a ela apoiado de ombro,com uma das pernas firmes ao chão dando sustentação ao corpo e, a outra perna, cruzada à frente,a famosa pose:”descanso do guerreiro”.

Mantive-me a distância,mas sem perde-lo de vista,dando-lhe alguns minutos de privacidade para atender o celular,quando observo aproximar-se dele um cãozinho de não mais que 6 meses,que percebendo que aquela perna,lindamente trajada com o mais puro linho estava dando sopa,resolveu saciar ali sua profunda sede de sexo que, aflorara da informação genética abruptamente trazida pela adolescência.

O animalzinho abraçou-se as pernas dele,com uma pegada de fazer inveja à um ator pornô,curvou suas costas e, com movimentos convulsivos,mandava ver um créu velocidade cinco,que lhe fazia babar de prazer.

Confesso que colei as placas.A cena era deveras grotesca e repugnante.
Nada no manual do guarda-costas constava, sobre ataques sexuais caninos,muito menos como atuar como terapeuta sexual.
Eu sabia que devia,se necessário fosse,protegê-lo com meu corpo,mas daí a dar as costas para um canino maníaco sexual,já era pedir demais.

Antes que eu conseguisse esboçar qualquer reação,escutei uma cabo-eleitoral dizer a outra:

-Olha lá!...olha lá!...o prefeito é tão lindinho,que até os cachorro querem transar com ele.

Deste incidente,creio,todos aprendemos uma lição:
Eu,que um guarda costas tem de estar preparado para absolutamente tudo.
O cãozinho, que para bolinar com um político,tem de ser cachorro grande.
Meu tio:que por melhor que seja o prefeito,sempre tem um animal tentando fú...com ele

EXAME DE PRÓSTATA

Eu já estava queimando horário,A dificuldade para encaixar-me na agenda do médico,justificava minha preocupação.
Felizmente de forma pontual pude ingressar no consultório.Mal sentei,ouço ao fundo uma voz delicada,porém,firme de mulher:
-Sr.João Bravo.
Premeditadamente eu havia sido genérico,no tempo da marcação de consulta,alegando apenas "simples consulta de rotina".
Minha intenção era simular algum tipo de patologia leve,que desse-me tempo para conhecer melhor o médico,analisar com cuidado sua personalidade e,se rolasse um clima,pedir-lhe que procedesse um exame de toque retal básico,que em minha idade, 44 anos,torna-se imprescindível.
Mas era necessário que o médico soubesse ouvir,com gaucho não é assim,chegar e ir tombando.Tem que escutá-lo,compreender seus anseios,suas carências.
Neste particular, devo confessar,ele nutriu em mim confiança o suficiente para enfim,entregar-me.
Após um breve papo tipo cadastro,mandou que me despisse das vestes,deitasse-me de bruços.o que fiz.
Com um olhar periférico,vi-o calçar suas alvas luvas de látex,com a elegância de um matador de filme americano.
A proximidade da borracha à sua pele,revelou toda a exuberância de formas de seus dedos...
Quer dizer,aquilo não era dedo,credo!!mais parecia um amortecedor do Ford Ká.
Definitivamente aquele dedo trazia consigo um carma ruim.
Cravei as unhas nas beiradas da maca,fixei o olhar em um ponto qualquer a minha frente, para não perder a referência, e disse-lhe:-Quando quiser douuuuuuuuu!
Sem qualquer aviso,num movimento firme e continuado,adentra meu ser uma monstruosa falange.Nesta altura,eu mais parecia uma cuíca,tocada com um espremedor de limão.
Ele pedia-me para que relaxasse,não oferecesse resistência,que não tivesse medo.
Francamente,quem tinha de estar com medo era ele,que estava prestes a ter um dedo guilhotinado.
Cessados os movimentos e findo os toques,não fez ele a mínima questão de descomprimir,vindo a tona de forma súbita e rápida,fazendo-me retesar com violência todos os músculos de meu corpo,de formas a não passar por ali,nada além de um enorme dedo.
Já em casa,ainda meio envergonhado,obriguei-me por uns três dias a o uso do chuveirinho em seu duplo efeito:
Higienização e Refrigeração.
Algum tempo depois,percebi que uma prisão de ventre que me tirava o sono à anos,havia sumido.
Creio ter sido este exame, a versão médica de um habeas corpus preventivo.

SE MEU FUSCA PRESTASSE

Meu filho chegou em casa com um opala 76, sorrindo de orelha á orelha.

Dizem que rico ri a toa, mas só pobre, da desgraça.

-Que que tu achou,pai?

-Compraste também, o posto de gasolina?!

-Pô pai, tu só esculhamba!

Acho que ele tem razão afinal, também já tive 21 anos.

Estou sempre atento ao meu tempo, por isso sei que hoje em dia é moda comprar carros velhos, para restaurá-los ou transformá-los.

Se você não tem um, paga um mico, como dizem. Engraçado é que em meu tempo, quem tinha um parecia pagar promessa, isto sim.

Não se comprava carro aos pedaços por hobby, comprávamos por necessidade ou falta de opção.

Na idade dele, já casado, comprei meu primeiro veículo, fabricado no ano de meu nascimento, o que já foi uma façanha á época. Equivalia ao quase zero. Lá estava eu, fechando negócio orgulhoso. Finalmente em 1985, comprava meu primeiro carrinho: um fusca 64, 1300, 12 V, vermelho. Tudo funcionando perfeitamente, até o vendedor picareta ,entregar-me as chaves e apertar-me a mão. Depois disto meu amigo!!!

Porta para fechar só a chute. Apertava o acendedor de cigarros, cortava a corrente. Ligava o rádio, não funcionava o limpador de para brisa. Ligava o limpador de para brisa, queimava a entrada do rádio. Buzinava, torrava o relé do pisca.

Bastava uma freada mais forte, lá ia eu, catar no chão, os aros dos faróis e a Haste do limpador de para brisa.

O motor batia tanto, que parecia fabricado pela Singer. Para me encontrar, bastava seguir o rastro de óleo.

Quando o arranque virava, minha mulher e eu, nos abraçavamos e chorávamos.

Um verdadeiro carro ecológico, tamanha quantidade de bacalhaus nos pneus, e pula macaco nas velas.

Mas o pior mesmo era em dia de chuva...Credo!!!

Enquanto eu dirigia, minha esposa esgotava a água de seu interior com uma caneca.

Foi exatamente em um destes dias de intensa chuva, que minha esposa combinara de passar em casa de uma de suas tias, para juntos almoçarmos com seu pai no sítio.

A tia de minha esposa, tinha formas exageradas, seu corpo era basicamente formado por substância adiposa, ou seja, uma forte candidata a obesidade mórbida. Fazê-la sentar na parte de trás do veículo, já foi algo deveras laborioso.

Concluída a árdua tarefa, lá fomos nós, enfrentar 30 Km de estrada de chão batido, que nem tatu usando chuteira passava, em meio a uma chuva torrencial.

No trecho mais problemático, onde qualquer erro ou parada significava um atolamento, a quantidade absurda de lama e buracos, fazia a tia saltitar no banco traseiro, o que despertava em nós sorrisos até que...

Bem, antes porem, tenho de dizer o que um cidadão que tem um fusca, não pode fazer de maneira alguma, quando limpa-lo por dentro. A bateria fica muito próximo as molas do assento traseiro, convém então, jamais tirar-se o protetor de borracha dos pólos da bateria. Foi justamente, o que achando que não houvesse serventia para nada, retirei.

Em um destes saltitares,ao descer, o peso da tia, fez as molas cederem, ocasionando um curto-circuito, que por sua vez, transformou-se em línguas de fogo. Ela ao tentar levantar-se aos gritos, encontrava a barreira do banco dianteiro e tornava a sentar com força, ocasionando outro curto-circuito, mais barulho, mais faísca, de formas que aquilo, tornou-se um circulo vicioso: faísca, grita,tenta levantar, bate no banco volta, senta, faísca, grita...

Eu não podia parar naquele momento, o desespero tomava conta de todos, minha esposa com os olhos que eram um pires, era só gritos. Sua tia, naquele senta levanta frenético, em meio a línguas de fogo, era só goela. Era tanta faísca que parecia relampear dentro do fusca.

Passado o susto, já no sitio, nossa tia, não perdeu a oportunidade:

-Se o almoço for churrasco, fico de mal com vocês!

MEU AMIGO TREZE

Eu morava á alguns quarteirões de onde tenho casa hoje.
Naquele tempo se morria de velhice aos trinta anos.
Criei-me brincando com um amigo, órfão de pai, ele vivia com a mãe e mais 15 irmãos.
Tamanho o número de filhos obrigava-a a numerá-los .
Este meu querido amigo, era o décimo terceiro, assim sendo, era conhecido por todos por Treze.
De família muito pobre, as refeições matinais em sua casa nunca variavam, sempre o desjejum de todos eram dois ou três pratos de angu com leite, já no almoço e janta, arroz,feijão,ovo frito, aipim,menos pedra, porque era ruim de mastigar.
Ele já naquela época destacava-se dos demais garotos, um negro, bonito,forte,alto, e com uma educação aguda.
Quando passávamos pela frente de sua casa, acaso sua mãe estivesse pregando alguns sarrafos em sua velha cerca, era uma evidência de que os irmãos acabaram de resolver mais um dos tantos conflitos familiares.
Crescemos, mas nossa amizade continuou, eu trabalhava como despachante de trânsito, fazendo todo o tipo de trabalho junto a policia civil ...ele trabalhando como segurança em uma casa noturna, famosa na cidade.
A imagem do treze à porta da boate era assustadora, quem não o conhecesse impressionava-se, o cara era grande e forte, suas mãos eram verdadeiras raquetes.
Numa destas ocasiões, dois policiais militares à paisana, confiando-se na sorte,tentaram adentrar o recinto sem pagar. Ele então, seguindo ordens que tinha os barrou.
Os PMs, sem gostarem muito, avisaram:
-Amanhã, estaremos de serviço viremos fardados e aí conversaremos, aguarde.
Ele, em sua calma característica, nada respondeu.Na noite seguinte, chegam os PMs fardados, e sem aviso algum, começaram a lhe bater com cacetetes, provocando-o para que reagisse, no entanto, ele apenas sussurrava:

-Não bato em homem fardado! não bato em homem fardado!

Naquela época você podia tudo, menos encostar em uma farda, fazê-lo era como assinar uma sentença de morte. Mas se estivessem sem farda...

Certo dia, o Treze, em uma de suas folgas, lançava sua tarrafa a beira da lagoa, feliz com o resultado de sua pesca,que por certo tiraria da rotina o seu cardápio, viu que ao longe vinham remando dois homens em sua direção.
Para sua surpresa e satisfação, eram os dois PMs, que fora de serviço, também tiveram a infeliz idéia de pescar.
Mal a canoa deu de proa na areia, os PMs sentiram faltar chão a seus pés.
Não conseguiram ao menos tentar uma fuga a nado.
A coisa decorreu tranqüila, mais ou menos previsível:
o Treze batia,e eles apanhavam, simples assim!.
Na delegacia, já devidamente medicados os PMs,que não puderam acompanhar a condução do Treze,por motivos óbvios, o inspetor de plantão preparava-se para fazer o Boletim de Ocorrência,quando adentra o Delegado e toma ciência dos fatos, presentes e passados.
O delegado encara o Treze, e calmamente lhe diz:

-Você não tem vergonha covarde?...quer dizer então,que o Estado monta uma verdadeira operação de guerra para selecionar estes homens, dá-lhes alojamento,comida, treinamento de defesa pessoal,tiro, gasta uma banana para tornar estes agentes públicos aptos a zelar pela segurança do cidadão e seu patrimônio, e vem você e enche os coitadinhos de porradas,e os larga em trapos num hospital?...você não se envergonha?

O delegado volta-se para os dois PMs e pergunta:

-Vocês vão fazer a ocorrência não é?...não vão engolir uma covardia destas, ou vão deixar barato?

Os PMs a esta altura, já sem saberem onde colocar suas caras:

-Não delegado, não precisa ocorrência, acho que o susto que o senhor deu nele foi o suficiente.

TIMÃO

Sempre me divirto recordando os velhos tempos.Me divirto ainda mais com a criatividade dos apelidos á época.

Meu tio jogava futebol,e alem disso era motorista do time,nas raras ocasiões que este jogava fora de casa.

Eu menino ainda,acompanhava o time onde quer que estivesse jogando.

Um dos jogadores era magérrimo e usava enormes cabelos tipo Black power,logo começaram a chama-lo de “Mario guarda-chuva”.

Outro,tinha as pernas arqueadas como as de garrincha,sabe aqueles tipos que parecem ter nascido montados em um cavalo?...então!.Não demorou ser batizado “quinze pras três’.

O time era capitaneado por João Bagunça,tinha como preparador físico,massagista e segurança, o cabo Neco.

Este daria um capitulo a parte com sua fórmula mágica,um preparado a base de álcool a 100%,éter,pinho sol,arruda,sal,comigo-ninguem-pode, e talos de espadas-de-são Jorge.Aquilo dava condições de jogo até a atletas com fraturas expostas.

A escalação do time é que era interessante:

Quinze pras três,Arnaldo Crucifixo,pé-de-polenta,Xexéca,Bonitinho,Zé Miséria,fominha,fedorento,Mario guarda-chuva,Tontinho,Boca-lisa,Encardido.

Lembro-me de um grande jogo,Grêmio Torrense esporte club e os Piratas,estes ultimo meu time do coração,jogo que se realizaria em Torres litoral norte do estado do Rs,distante mais de 100 Km de minha cidade.

No dia marcado,embarcamos em uma Kombi,toda a delegação mais alguns familiares,não preciso dizer que tinha gente socada até no porta-luvas.

Chegando ao destino fomos diretos conhecer o gramado,credo!!!

Era um local chamado Sanga funda,por aí se tira uma idéia.O gramado era em uma encosta de morro,a lateral esquerda em aclive e a direita em declive.Obrigava os jogadores a utilizarem todas as técnicas dos velejadores para zigue-zaguear,como que costurando um vento de través...problemático,viu?!...

Lá pelas tantas,Mario Guarda-chuva cai na área adversária,o juiz não dá o penalti, o tempo fechou,guarda-chuva é empurrado,depois socado revida...

Enquanto nosso time corria em peso para retaliação,o time adversário pulava uma cerca de arame farpado saindo fora do gramado.

A nossa torcida e parte da delegação debochava da covardia deles,sem parar ao menos para prestar atenção nos motivos que os moviam a pular para fora do gramado.

Foi quando percebemos que eles em verdade pularam para dentro de uma roça de aipim,para quem não sabe, o mesmo que mandioca,após darem de mão nas ramas,puxavam e vinham boleando a raiz em direção a nosso time.

Meu tio era só vergãos e calombos,de tanta raiz de mandioca que levou nas costas,me puxou desesperado para dentro do veículo e ainda de portas abertas arrancou em disparada,catando os seus atletas e dirigentes semeados, que seguiam em desabalada carreira as margens da BR 101,tendo em seu encalço um time inteiro armados com raízes de mandiocas.

De volta a estrada,o time era só hematomas,enquanto Mario guarda-chuva cantava marra:

-Tu viu o tapa nos beiços que dei naquele baixinho?!...